Dezembro 08, 2009

Une marche pour la vie


"O amor foi dito.

O amor foi feito.

Todos à nossa volta se calam.

(...)

É no equilíbrio da nossa dança que executamos o gesto perfeito,

aquele pequeno passo...

aquele pequeno passo."
Chegamos ao terraço do hotel do chiado, para fugir à confusão instalada nas ruas.
É um feriado solarengo e temos o tempo todo do nosso lado.
Os olhos enxergam o horizonte que ignoramos, quando passeamos no chiado e só vemos as montras de natal.
Dois chocolates a ferver, um sofá todo para mim e então, no cair da tarde em lisboa, deixo-me escorregar e repouso ao som das gaivotas que sobrevoam o tejo e a minha vida.
Falamos sobre as coisas que nunca tenho tempo de dizer à mãe quando venho do trabalho.
Ao meu lado guardo a prenda de natal que a mãe resolveu oferecer-me já, as andorinhas do Bordalo Pinheiro que eu cobiçava como uma das coisas mais preciosas para mim.
Aqueço as mãos na chávena que arrefece depressa e volto a descansar no conforto de ver lisboa, como se planasse sobre ela, tal como as gaivotas o fazem agora.
Fico em silêncio e olho para a cidade onde sempre vivi e que sempre me conheceu.
Nem sempre reconheço esta cidade que me habita e as pessoas que me rodeiam, às vezes preciso de me reconciliar com ela para continuar por cá a viver.
Nesta paz que não parece lisboa, hoje neste terraço do chiado, sei que as pessoas principais e as que amo estão todas ao meu lado e isso enriquece o coração a cada batida que ele dá...
E sorrio, devagar, sem ter de explicar a ninguém a razão da minha paz.

Dezembro 07, 2009

Já te disse hoje que gosto de ti?
E que gosto de acordar quando chegas tarde e ir a correr pelo corredor fora e só parar nos teus braços cansados de um dia de ensaios?
E já te disse que só adormeço quando me lês uma parte do teu livro e que a tua voz me acalma os piores fantasmas?
E que não há melhor colo do que aquele que me dás quando me aconchegas na toalha de banho e envolves num beijo para não me veres mais chorar?
Já te disse que peguei num pijama teu de bebé e que te embalei no meu colo, como o fazes tantas vezes comigo?
Já te disse meu amor que se a vida se esgotasse no próximo minuto, tudo já teria valido a pena?
Estes são os nossos alicerces, o que nos move todos os dias, a nossa vida que algumas pessoas invejam e dessa inveja nasce a minha alegria de ver que, aconteça o que acontecer, tu estás ao meu lado.
Então o mundo que caia à nossa frente, não dou por ele contigo aqui.
Já te disse hoje que gosto de ti?

Dezembro 04, 2009

Who is Parisienne?


Não sei do que gosto mais, se do corpete, se do perfume ou da Kate Moss.
Ou se tenho apenas saudades de Paris e gosto de tudo o que me remete para lá...

Novembro 23, 2009


Abraçou-me com os olhos em lágrimas.

- Continuas tão magra porquê?

Olhou-me de novo sem se conter.

- Tens passado a última fase da tua vida à espera, não é?

Bolas.

É.


Ouves-me?
Mesmo quando não te falo?
Ouves-me, mesmo quando te chamo pelo nome e olho no fundo de ti e te reclamo?
Ouves-me quando não estás e dás notícias como se estivesses longe, num planeta distante?
Ouves-me os soluços quando estou sozinha?
Mesmo quando adormeces no fim de um dia e estás exausto.
Ouves-me?
Ouves-me quando cai a noite às 5 da tarde e não sei mais de ti até dormir?
Ouves-me quando partes sempre com razões diferentes?
E ouves-me quando me vês sorrir?
Ouves-me quando saio de casa e caminho para longe?
Ouves-me quando nada te digo e apenas escrevo?
Ouves-me ao longe mesmo quando estás aqui perto?

Ouves-me?

Mesmo quando te falo directamente?

Não respondas, porque assim fico na esperança de que ainda não me tenhas ouvido...

Novembro 21, 2009

... há algo que não me acompanha.
Uff, talvez ganhe coragem para ir embora daqui.

Novembro 20, 2009


Ligo à minha amiga para saber quando a vejo depois da vinda dela da lua-de-mel.
- Temos de combinar alguma coisa, ainda não vieste ver a nossa casa.
- Olha, este fim-de-semana estou sozinha.
- Mas tinha graça virem os dois, combinamos um dia que possam vir os dois.
Ando há alguns dias a pensar nesta conversa.
Eu queria ir por minha conta porque sou eu que me acompanho todos os dias.
Não sou um casal, sou eu.
A minha amiga casou, é normal que os planos sejam a dois e eu conto estar com os dois sempre, mas eu não sou assim.
Incomodou-me pensar que é mais divertido encontrarmo-nos todos aos casais.
E eu isoladamente? Perdeu-se a identidade?
Eu sou o isoladamente muitas vezes, talvez o seja na grande maioria das vezes.
Não, não tem mais graça quando somos os dois, tem mais graça quando toda a minha vida acontece entre mim e quando aceito estar apenas comigo e por minha conta e isso não me causa medo.
Porque toda a minha vida foi assim.
Não, não foi o que quis, mas foi sempre assim.

Novembro 19, 2009

Em vôo pelo Funchal

Acordou-me já a manhã anunciava nascer.
- Vem cá fora ver uma coisa.
Agarrou-me pela mão e levou-me pelo fresco da manhã, num verão colorido do Funchal.
Na minha pele tocou apenas o algodão pesado de branco puro.
Vi o sol nascer, pela primeira vez, naquela manhã.
Por cima de mim uma gaivota a dar as boas-vindas à vida e o mar brando e calmo diante dos olhos, nem um movimento, nem uma palavra nossa.
O mundo todo diante de mim, para mim, no auge da vida e de todos os meus sentidos, o mundo sem responsabilidade, sem consequências medidas, o mundo ao natural, sem razões, nem reflexos, apenas a emoção de o ver como era. A vida inconsequente, como a gostei de viver sempre.
Nasceu o sol e aqueceu-me a cara que se inundava de lágrimas no olhar, nos poros, engolidas pela boca sedenta de vida e sal.
Nem um sopro. Só aquele instante, sem nada para trás, nada transportado para a frente.
Então, tocou ao de leve na minha mão e disse baixinho...
"Só nós, a luz e mais nada".
Nunca vivi o "nós", nunca quis saber muito do que o futuro me traria, nunca temi muito se perdia ou o que ganhava, nunca medi os meus passos, dava-os porque queria, nunca tive medo, amaram mais por mim do que alguma vez mereci.
Hoje tenho demasiado medo e talvez por isso me tenha batido tão forte a saudade de viver a vida tão levemente, como um vôo fugaz pela manhã da Madeira, manhã sem regresso, sem pena, ou falta, apenas a saudade de não ser mais a mesma pessoa inconsequente.
Hoje lembrei-me desta manhã para saber que o mundo não acaba se alguém nos falhar e for embora, é forte demais para isso e as manhãs nascem todos os dias, os olhos só precisam de as querer ver.

Novembro 17, 2009

A Mãe


Foi deixá-lo à escola, parou do outro lado da estrada.
Não o levou à porta talvez porque estivesse com pressa para seguir para o trabalho.
Não arrancou enquanto o filho não entrou e o portão se fechou atrás dele.
Fiquei no meu carro, à espera de o ver entrar na escola e derretida com um simples e diário gesto de amor, apesar de achar que tem sempre qualquer coisa de desprendido deixar um filho ir.

Senti que o amor é contado e muito independente, todos os dias a rotina nos separa, a maior parte das horas, de quem mais amamos.
Há poucos dias toquei na barriga de uma grávida que me perguntava se estava a sentir o pezinho do bebé. Ali. Sim. Naquele momento há algo que nos pertence, entranhado em nós e em cada particula do nosso corpo e é nosso, com direito a sentido de posse e protecção. Não sei bem se lhe senti o pé, sei que era vida, força, amor, era paz… Por momentos hesitei em tocar, para não o sentir, tenho tentado não sentir demasiado, mas todos os dias quando saio e me movimento, quando amo, ou troco gestos, palavras, quando atravesso uma rua, ou vou para o trabalho, há sempre sinais da vida. Há vida.

Como é que deixa partir todos os dias quem se ama?
Talvez por saber que a liberdade, de cada um, é uma das mais profundas formas de amor. E por isso se deixa partir.

E depois ele volta todos os dias da escola, é uma questão de saber esperar pelo tempo, o nosso tempo.

Novembro 16, 2009

A morder-me o coração


Hoje acordo em conflito comigo porque devia ter ido à ginástica e acabei por ficar na cama. Era por mim que devia ter ido, por nada mais.
Fico na cama sem adormecer bem, a tentar congelar o pouco tempo que resta até sair.
...Não é por chover e estar frio, é porque não quero continuar a ter a mesma vida todas as manhãs de uma semana que ainda agora começa.
Chego atrasada. De novo. Bolas.
O trânsito desta cidade mata-te devagar. Esta cidade mata-me devagar.
Corro ao encontro de uma amiga que não vejo há meses e espera por mim no bar.
Corro e digo um bom dia sem ver ninguém. Corro de novo.
Dói-me o coração, dói cada vez que a semana começa.
Abraça-me mal me vê e diz que trago um sorriso feliz.
Aceno que sim.
Pergunta como estão as coisas e bloqueio.
Não consigo dizer nada.
Olho-a e desfoco-a. Talvez seja da maldita graduação das lentes que tem de ser aumentada.
Talvez não seja.
Sorrio e abro muito os olhos e digo que está tudo bem.
Falo demasiado e não digo nada acertado.
Ela fica na mesma, não percebeu nada do que eu disse.
Continuo a não vê-la bem.
Insiste de novo: "estás mesmo bem?".
Viro a conversa e quero saber dela e é então que me responde: "estou a separar-me".
Olho o relógio.
Levanto-me e agora abraço-a eu: "e logo eu que tudo o que quero é não me separar mais, já andei tempo demais sozinha".
Não sei bem qual foi o dia em que deixei de conseguir falar sobre ti aos outros, mas não consigo, dói qualquer coisa no coração.
Estranho.
Estranho-me.
É como se alguém me mordesse o coração...

O tempo


Não tenho muitos anos mais para tentar...

O que negoceio eu com o tempo?

Novembro 12, 2009

AMOR


ELE – Uh, uh!
ELA – És tu?... Estás aí? És mesmo tu?
ELE – Sou, pois!
ELA – És mesmo o Amor?
ELE – Sou o amor sem medo.
ELA – Que bom! E aonde estas, Amor?... Vem já ter comigo!
ELE – Não tenhas pressa! Ainda é cedo para ir ter contigo.
ELA – Claro que tenho pressa! Sou jovem!
ELE – Mais uma razão para não teres. Tens a vida diante de ti.
ELA – Tenho fome e sede de ti! Vem depressa!
(…)
ELA – Não tens medo de nada?
ELE – Não!
ELA – Nem do mar?
ELE – Não!
ELA – Nem do amor…?
ELE – Não!
ELA – Nem de mim…?
ELE – Agora já não!
ELA – Então por que é que não vens ter comigo?
ELE – Porque tenho medo de me encontrar contigo. (Corrigindo-se: ) Quer dizer: não é bem medo que eu não tenho medo de nada…
ELA – Então o que é?
ELE – É Amor.
ELA – o Amor não tem medo.
ELE – Ai não que não tem!




Teresa Rita Lopes, andando, andando...

Novembro 09, 2009

Perdida nos sentidos


Acaba de secar.

Apanho-a.

Usei o mesmo amaciador que uso na minha roupa.

Encosto-a a mim e é o teu cheiro.

És tu, entranhado nos meus sentidos.

Novembro 06, 2009

Fernando Nobre

Conheci-o porque foi convidado num dos meus programas.
Estava parado a observar tudo, com um ar de calma de quem já provou tudo à vida.
Aproximei-me, com medo que a minha ignorância sobre o Fernando Nobre me deixasse ficar mal vista, mas havia qualquer coisa que me fascinava no seu percurso enquanto médico humanitário da AMI.
Tinha um olhar sereno, de quem tem tantas vidas para contar e já vividas, de quem não cobra mais nada porque chegou a um acordo de paz dentro de si próprio.
Não me deslumbro por nomes sonantes, nem por carreiras, mas pela vida que um olhar transporta e aquele olhar era um mundo novo para mim.
- Consegue lembrar-se de crianças em concreto que viu morrer? - perguntei, como se fosse eu uma criança que vê um filme e deixa cair o queixo de espanto.
Sorriu e os olhos encheram-se de ternura. Abriu então um livro de fotografias que tirou durante as missões e apontou para esta fotografia e disse o nome de uma menina...Não o percebi, apenas que era uma rapariga com 13 anos.
- Esta menina morreu, chegou a mim tarde demais. Morreu. Lembro-me muito bem das crianças que perdi. Elas acompanham-me todos os dias.
Perguntei como é que nunca se desiste, mesmo quando se perde uma vida nas mãos e explicou-me que ninguém substitui Deus.
Bolas, eu e a minha arrogância de achar que temos poder para decidir vidas, destinos.
Sorriu. Arrepiou-se. Comoveu-se enquanto recordou as crianças que salvou e perdeu. Como se a saudade o habitasse, como se estivesse a rever a coragem de pessoas que partiram no meio de um profundo sofrimento, sem nada, talvez só com ele ao lado.
- Nunca cruzou os braços e perdeu a força para continuar? - perguntei com vontade de lhe pedir que me deixasse ir para lá...
- Não. Basta salvar uma vida para tudo valer a pena.
Há dias em que acho que experimentamos o divino.
Isso acontece quando nos emocionamos numa conversa, quando simplificamos a vida e a celebramos com um brilho no olhar, um brilho de dever cumprido e de sabedoria de que não somos nada e nos assumimos como meros aprendizes da vida.
Experimentei qualquer coisa de divino quando conheci o Fernando Nobre, ontem, quase por mero acaso, num dia de trabalho, como outro qualquer...

Novembro 04, 2009


Meu amor, meu amor
Meu corpo em movimento
Minha voz à procura
do seu próprio lamento

Meu limão de amargura, meu punhal a escrever
Nós parámos o tempo, não sabemos morrer
E nascemos nascemos
do nosso entristecer

Meu amor, meu amor
Meu nó e sofrimento
Minha mó de ternura
Minha nau de tormento

Este mar não tem cura, este céu não tem ar
Nós parámos o vento, não sabemos nadar
E morremos, morremos
Devagar. Devagar

P.S - Amo.te


- Olha lá Joana, o que fazes no trabalhos a estas horas? Sabes que há vida lá fora?

- Sei, estou a fazer tempo para ir ter com ela...
Almoçamos todas as semanas, há alguns anos, eu e o pai vamos sempre ao mesmo lugar.
No restaurante está sempre o mesmo senhor.
Dele só sabia que tinha um António, com quem metia conversa de vez em quando, sem direito a troco na resposta.
Gosto do ritual de me sentar e ele já sabe o que trazer, sabe que só quero meias-doses e que não gosto de açúcar no café, apesar de querer sempre a colher para misturar a espuma.
Não trocamos muitas palavras, até porque o pai é de poucas conversas com as pessoas em geral.
Hoje, talvez por nos ouvir a falar da minha mana, parou diante da mesa e perdeu-se a falar:
“Ele já sabe quase ler, já sabe juntar as letras. Está na 1ª classe, entrou agora em Setembro e adora ir para a escola. Não chorou nada, vai sempre todo contente”.
Sorrimos e falámos todos das férias das crianças e que gostaríamos que fossem também as férias dos adultos. Sim, conversa de circunstância de quem não sabe o que dizer.
Retomou de repente e sem esperarmos:“O António parece uma carraça, mal me vê, agarra-se a mim e não me larga. Até à noite tem de estar colado a mim e se adormece longe, lá vem ele, com os pezitos pelo chão suavemente e vem enfiar-se na minha cama. Às vezes vai dormir aos avós, mas quando acorda eu tenho de estar lá ao lado. E estou sempre. Deve ser mau para ele esta dependência de mim, mas ele está comigo desde os dois anos e está comigo para tudo, para acordar, para ir à escola, tomar banho, jogar à bola nos fins-de-semana… Oh, para tudo!”.
Interrompo e inevitavelmente pergunto pela mãe do António.
“De vez em quando vem almoçar com ele”…
Os olhos ficam parados em nós, como se esperasse uma solução nossa.
Arrependo-me de me intrometer com perguntas a mais, mas percebo que, sem saber o porquê, aquele senhor cujo nome não sei, hoje precisou de falar do seu filhote de 6 anos.
Comento que quando um falha, é o filho que fica com deficiências de afectos, mas que a vida é assim mesmo.
A resposta serviu e ele afastou-se, na verdade não quero ficar a pensar no António, mas já é tarde…
O meu pai não volta a falar.
Traz-me ao trabalho, como se me levasse à escola.
Damos sempre um beijinho fugido e voltamos a ver-nos no mesmo dia da próxima semana.
E eu trago o António na cabeça e no coração e penso que não é um menino infeliz só por não ter tudo, tem um pai que o adora e faz dele o seu companheiro para tudo e essa é a forma mais plena do amor.
E penso que às vezes sou um António, outras vezes sinto falta de um.
Mas há coisas na vida que, quando assumimos, têm de ser para sempre e um António é para sempre.

Novembro 03, 2009

O que me sustém?
Tantas coisas boas.
Mas hoje é importante relembrar que todas as manhãs quando saio de casa e me olhas nos olhos dizes "até já".
E voltamos sempre um ao outro.
Porque o tempo é feito por nós.

Adeus.

Parte hoje. Horas, longas horas de avião.
Nunca é certo quando volta.
Nunca é certo se volta.
Não me quis despedir porque não consigo, não gosto, não digo adeus a ninguém, é raro.
Deixo o telefone hoje perdido, propositadamente, perdido pela sala, por todo o lado. Encontro-o já com a chamada não atendida. Olho as horas e penso que já vai a atravessar o atlântico.
Vejo que me deixou uma mensagem de voz. Hesito. Acabo por não querer ouvir naquele instante. Talvez se lhe ligar já não me atenda. Arrisco. E o telefone toca e atende.
Na verdade tinha esperança que não fosse embora.
Acaba a conversa a chorar e diz que não quer ir. A voz fica-me embargada, controlo o choro, quero pedir que não vá, mas não tenho o direito de prender ninguém.
Despeço-me sumidamente.
Fui dura demais, mas hoje o rímel não me mancha a cara.
Ouço finalmente a mensagem de voz. Pede que não desista de lutar pelo que quero e recorda o que passámos nos violentos meses recém-passados, em que foi cuidar de mim.
Travo o choro que se anuncia na garganta, contenho-me. Aperto o nó da garganta. Não me quero lembrar mais do que passei e tenho de parar de ter medo de dizer adeus.
Então adeus.
Pode não voltar mais.